segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Sobre ter problemas

// 16 de outubro de 2017

Estava conversando hoje com Laura e uma amiga da escola sobre a viagem que vamos fazer no final de semana. Eis que a amiga fala:
"Tia, tô muito ansiosa pra ir pra Buzios! Amo Buzios porque quando vou pra lá esqueço de todos os meus problemas!"
E vc aí achando que tem muitos problemas. Difícil mesmo é ter 9 anos.

O retorno às pistas!

// 23 de outubro de 2017

Depois de parir a Cleo fiquei um ano e quatro meses longe das corridas. Foi um período de dedicação exclusiva para ela e de paciência para mim. A corrida me fez muita falta!
Voltei a correr aos poucos. Achei que fosse ser muito mais fácil do que realmente foi. Tive que retomar meu ritmo praticamente do zero. Minhas primeiras corridas não iam além de 4 kms completados em mais de 40 minutos. Foi difícil ficar feliz com um recomeço tão ruim.
Além disso a rotina era outra completamente diferente. Antes da Cleo eu conseguia treinar à noite durante a semana e fazer os treinos longos nas manhãs de sábado. Agora só consigo correr com o sol castigando, e praticamente não consigo correr aos finais de semana.
Ainda assim quando comecei a engrenar no treinamento, decidi que faria a XC Run Buzios, prova que nunca havia feito e que é uma das mais bonitas do Rio de Janeiro.
Treinei do jeito que deu: corri parando para descansar praticamente todas as vezes, fiz treino de velocidade querendo desistir por me ver tão aquém das minhas expectativas, já quebrei no meio do treino e precisei voltar andando pra casa, fiquei doente e precisei parar 3 semanas para me recuperar, enfim...a maior parte do meu treinamento foi uma bosta, mas sou brasileira e não desisto nunca (apesar de reclamar horrores).
Chegou a semana da prova e eu tranquilona. Nem parecia que estava a tanto tempo sem ganhar uma medalha. Nem me reconheci, justo eu a senhora ansiedade. Mas eis que chegou a véspera da corrida. Chegamos em Buzios e fomos buscar o kit de noite com o pessoal da assessoria. Aí veio a dor de barriga clássica: êêêê! Agora sim entrei no clima na prova!
Eu ia começar a corrida 7h, fazendo o primeiro trecho de 21km. Fred, minha dupla, ia correr o segundo trecho. Assim, ele e Cleo foram me deixar na largada cedinho para me dar boa sorte. O povo todo da FF Sports Assessoria Esportiva estava lá, o clima estava nublado, perfeito pra correr!
Larguei com Vivian Alfradique e Melissa Ribas que me acompanharam nos primeiros kms de prova. Logo depois decidi ir sozinha pra seguir no meu ritmo e não atrapalhar ninguém. Estava bem disposta e o tempo ameno estava ajudando muito os corredores.
Fui um bom trecho sozinha, muitas ladeiras íngremes e eu só lembrava do Marlon da Costa me falando que por mais que eu quisesse correr, nas ladeiras eu só ia conseguir andar mesmo. Ok, tive que andar, mas andei rápido porque não sou de lerdeza! Nessas ladeiras vi que estava bem preparada pq subia relativamente rápido sem me cansar muito. Encontrei Aldecir Ci no meio do primeiro trecho de 10km e fomos uma boa parte dele juntos. Acabamos indo cada um no seu ritmo próprio e ele se juntou ao grupo que estava fazendo 42km. Daí continuei sozinha.
Fiz os primeiros 10km super bem, mas estava com medo do segundo trecho pq desde que recomecei a correr não tinha feito nenhum treino de mais de 18km. E ainda sabia que os últimos 3kms de prova seriam de areia. Liguei o despacito e fui seguindo em velocidade de cruzeiro.
A corrida é terapêutica pra mim: não gosto de correr ouvindo música pois prefiro ir com meus pensamentos aleatórios. Fui sozinha o tempo todo, pensando em mil coisas deste tempo em que fiquei parada cuidando da Cleo, no recomeço tão difícil da corrida, no ano passado onde tivemos vários percalços de saúde na família com a recuperação da minha irmã e do meu pai...tudo vem à cabeça.
Quando percebi já estava nos últimos kms de areia. A praia tinha um nevoeiro denso que mal se enxergava quem estava na frente. O cansaço de muita gente era aparente, pois muitos estavam andando. Eu, apesar de também estar cansada, corri o tempo todo. Cheguei no finalzinho e encontrei Fred com Cleo no cangote me esperando pra cruzar a linha de chegada, pra ele de partida.
Finalizei a corrida com Cleo no colo me pedindo para mamar. Não poderia estar mais feliz!
Agora é rumo ao novo desafio! Obrigada ao meu treinador Marlon da Costa que acreditou em mim e me desafiou a correr 18km quando eu mal conseguia correr 10km decentemente. Nesse dia eu percebi que dava conta de fazer essa prova!
E obrigada ao meu amor Fred Maia que é a melhor dupla que escolhi pra vida. Tamo junto. 

Milagre do Halloween

//31 de outubro de 2017

Quero fazer meu testemunho aqui na Igreja do Facebúqui de um milagre que se operou em minha vida hoje:
Pela primeira vez em 1 ano e dois meses de creche, Cleo entrou SEM CHORAR!
Aleluia, irmãos! Vamos glorificar de pé!
Mas como me ensinou Buda: não criarei expectativas pra amanhã.
Viva o Halloween! Viva a bruxa! Viva o Saci Pererê!
Aguardem cenas do próximo capítulo.


*edit: Esse dia foi só uma exceção mesmo. Cleo só começou a entrar sem chorar na creche quando passou pra turminha do maternal, em janeiro de 2018.

Fofurômetro explodindo

// 6 de novembro de 2017
Cleo agora me chama por mamãezinha e Fred por papaizinho.
Não existe nada mais lindo na face da Terra.

Sagacidade

// 7 de novembro de 2017

Cleo e Laura dividem o quarto. Laura dorme na cama de cima e Cleo na de baixo rente ao chão.
A porta do quarto fica fechada pq Cleo de vez em quando ainda acorda de madrugada. Com a porta fechada ela volta pra cama e dorme.
Daí que hj de manhã super cedo vem Laura na minha cama trazendo a Cleo:
- Mãe, acordei com a Cleo na minha cama toda animada acendendo e apagando a luminária. Achei melhor trazer ela pra cá antes que caia lá de cima. Agora a gente precisa ensiná-la a descer!
Cleo: 1 ano e 9 meses de pura sagacidade.
Laura: 9 anos sendo a pessoa mais legal que conheço.

Primeiro elogio

// 14 de novembro de 2017

Me arrumei pra correr com uma blusa da última prova que participei. Daí Cleo percebeu que a blusa era nova e falou na mesma entonação que eu sempre falo com ela:
- Mamãe, tá liiiiinda!
👧❤️ O primeiro elogio é pra guardar pra sempre!

Quando a criança passa da validade

// 5 de dezembro de 2017

Cleo na consulta com a pediatra hj:
- Na sala de espera comeu o pote todo do jantar que levei de casa e fez escândalo pq queria mais.
- Só deixou a pediatra examiná-la enquanto mamava no meu peito. Eu de pé e com o peito de fora, cadê dignidade mesmo?
- Saindo do consultório mais um escândalo pq queria levar a cadeirinha infantil da sala de espera para a nossa casa.
- Esperando o uber, Laura resolveu levá-la pra ver os hamisters na pet shop e ela fez outro escândalo pq queria levar um comedouro pra casa. Resolvi acabar com o show pegando a criatura no colo e acabei recebendo tabefes and meleca na cara.
Tudo isso pq marquei a porra da consulta no horário de sono dela.
Como diz uma amiga querida: usem camisinha, amores.

Lichia

// 10 de dezembro de 2017

Eu e Cleo de manhã comendo lichia: "Delícia, mamãe". 
Vai lá acordar a Laura pra comer com a gente, então. 
"Laurinhaaaaa, vem comer mochila!!!"

10 anos de muito orgulho

// 19 de dezembro de 2017

Hoje ela faz 10. Caramba, 10 anos!!!
Não passou num instante, não passou rápido demais. Passou no tempo certo. 10 anos da minha pequena menina de coração gigante! Daquela criança maravilhosa que me ensina que a vida pode (e deve) ser levada com leveza e tranquilidade.
Essa foto é um resumo perfeito da Laura: alegre, tranquila, esperta, sagaz, amiga, carinhosa. Não é só porque é minha filha, mas Laura é um serumaninho ímpar, pessoa incrível em que me espelho diariamente para tentar ser uma pessoa melhor.
Filha, há 10 anos você vem me ensinando a ser mãe. O aniversário é seu, mas o maior presente quem me deu foi você. Sua pesença em nossas vidas é iluminada!
Te amo imensamente, infinitamente.
Mamãe.

Draga

// 2 de janeiro de 2018

Almocinho básico às 8h da manhã: Macarrão com feijão e coxa de frango com cenoura. #sustância

2 anos

// 18 de janeiro de 2018

Ela é gaiata, é inteligente, é esperta, é comunicativa. É geniosa, é dramática, é chorona. É carinhosa, é gulosa, é atenciosa, é prestativa. É macaca de imitação da Laura.
Ela ama passear no parque. Ama manga, ovo, lichia, pão de queijo e tudo o que for de comer. Ama sapatos. Ama selfies. Ama mamar o tempo todo. Ama dançar e cantar. Ama brincar de fazer comida e alimentar as bonecas.
Ela fala frases inteiras e se comunica muito bem. Ela come sozinha sem fazer lambança. Ela escolhe o que quer vestir e calçar. Ela faz paródias com as músicas infantis para fazer a gente rir.
Mas não pense que é só lindeza:
Ela acorda todos os dias antes das 6 da manhã. Ela se irrita com alguma coisa e bate em quem estiver na frente para descontar a sua raiva. Ela chora todos os dias para ir para a escola desde o primeiro dia de aula. Ela mexe em absolutamente tudo pelo simples prazer de zonear a porra toda e sair rindo por aí.
Ela enche nossa casa de alegria há dois anos.
Parabéns, filha. Esses dois anos passaram num piscar de olhos!

Beatles

// 2 de fevereiro de 2018

- Mãe, cadê o ítiguéda?
- O quê, Cleo?
- Ítiguééééda!!!!
- Laura, que coisa é essa que Cleo tá pedindo?
- É o desenho dos Beatles, mãe.
COME TOGETHER!!!!! 😂😂😂😂😂😂

Desfralde: temos!

// 5 de fevereiro

💩
O primeiro cocô na privada merece post no facebook!


#Mal completou 2 anos
#CleoDanada
#AlegriaMaterna

Novo Amor (de carnaval)

// 17 de fevereiro de 2018


Me dei de presente em 2017 o desafio de aprender a tocar um instrumento. Entrei pra oficina da sinfonica ambulante e loucamente escolhi o trombone pra me acompanhar nessa empreitada.
Hoje foi o dia do desfile, após um ano de aulas aos trancos e barrancos, conciliando trabalho, família, corrida e outras mil coisas que invento fazer.
Trombone, venho aqui declarar publicamente meu amor por você, que me fez descobrir que posso fazer muito mais do que imagino! Que me apresentou pessoas maravilhosas! Que inseriu a alegria da música na minha vida!
Não dá pra escrever minha alegria em estar com amigos tão queridos fazendo algo que nunca me imaginei fazer! Que dia incrivel! 🎶💃

Vocabulário

// 12 de março de 2018

Registrando três palavrinhas da Cleo pra eu não esquecer:
Ruim = Fuim
Lobo = Bolo

Maracujá = Macurujá

Fominha

// 22 de março de 2018

Filha, o que vc quer comer?
"Feijão e ovo."

Cleo, 7h da manhã.

Vícios Infantis

// 13 de abril

Amor eterno: mamá.
Amor do momento: Chapeuzinho Amarelo.
Todo dia tem. Viva Ziraldo e Chico Buarque.


band aid

// 2 de maio de 2018

Cleo explicando pra Laura o que aconteceu:

"Cleo machucou o dedo e mamãe botou bandeja."

Maternidade Real

// 10 de maio de 2018

Comecei minha semana catando piolho da cria pela segunda vez nesse ano. Você reclama de ver Fantástico no domingo à noite? Pois eu estava travando uma batalha entre piolhos e pente de ferro. Venci, pq tenho pavor de pegar piolho e não deixo rastro dele em casa.
Segunda de manhã: emergência ortopédica com 2 horas de espera com as duas crianças juntas. No dia seguinte: raio-x da coluna da criança.
Hoje: pediatra da outra cria. Diagnóstico: virose contagiosa sem tratamento. 7 dias sem ir pra escola.
Amanhã: escola da filha mais velha vai ter conselho de classe e os alunos não terão aula.
Eu: uma porrada de trabalho atrasado sem a menor chance de colocar em dia.
Fica a dica: usem camisinha.

Maior amor do mundo

// 13 de maio de 2018

Cleo, vc sabia que eu te amo?

Sabia. Você te ama eu.

Pequena Feminista

// 21 de maio

Fui buscar Laura na escola hoje e viemos conversando andando para casa.
- Mãe, quero mudar de escola. Meus amigos me apelidaram de barraqueira pq quero discutir coisas importantes. Eu falo o que eu penso e as pessoas respondem coisas horríveis, debocham da minha cara, eu fico triste com isso.
- Mas vc fala sobre quais assuntos, filha?
- Hoje estava discutindo sobre feminicídio com os meninos da turma. Eles nem sabiam o que era isso, aí eu tive que explicar que é quando um homem mata uma mulher. Então XXX me falou que quando uma mulher faz coisa errada, tem mais é que matar ela mesmo! Mãe, aí eu perguntei que se um amigo dele fizesse alguma coisa errada, se ele achava que matar o amigo seria uma boa ideia. Sabe o que ele respondeu? Que não! Matar mulher pode, mas matar homem é errado. Não aguento isso! Eu disse que tinha visto uma reportagem que falava que a cada 20 minutos uma mulher era assassinada e eles ficaram rindo da minha cara!
Fiquei pasma pensando que minha filha, com 10 anos, está argumentando sobre feminicídio com seus colegas de turma na escola. E continuei o papo:
- Laura, entendo perfeitamente o que vc está sofrendo com esses amigos. Mamãe tb tem alguns amigos que pensam bem parecido sobre esse e outros assuntos, por isso acabei deixando pra trás algumas pessoas que não estavam mais acrescentando nada de interessante na minha vida e incluindo outras pessoas bem bacanas que me fazem ser uma pessoa melhor. Mas como vc e seus amigos ainda são crianças, provavelmente o seu amigo que falou isso está só reproduzindo o que ele aprende em casa, assim como vc quando fala sobre esses assuntos, mas que bom que vc consegue falar sobre isso na escola!
- Mãe, só que XXX tem uma irmã que não pensa igual a ele! Ele só fala essas coisas pq é homem e machista! Todos os meus amigos falam a mesma coisa, falam mal das mulheres! E pior: tem umas meninas da turma que pensam igual a eles! Por isso que eu gostei de ir pro Girls Rock Camp Brasil, lá eu podia falar sobre esses assuntos com as meninas pq todas achavam os temas importantes e ninguém me achava chata por isso. Lá todas as meninas eram iguais a mim...
Não sei o que vcs estão fazendo com as suas crianças, mas por aqui tenho certeza que estou contribuindo pra um mundo muito melhor. Orgulho define.

Aprendiz de Pinóquio

// 30 de maio de  2018

Eu e Cleo na sala. De repente aquele cheirinho de pum.
- Cleo, vc peidou?
- Não, foi papai. 😎

Sincerona

// 30 de maio de 2018

Voltando da creche:
- Cleo, o que vc fez no dia hoje?
- Baguncei a escola toda.

Melhor ouvir isso que ser surdo

// 8 de junho de 2018

Esperando o ônibus no ponto em frente a farmácia. Estaciona um carro com um coroa no volante e pergunta pro entregador que está esperando fora da farmácia:
- Cê tem Durateston aí?
- Vou lá dentro ver se tem. Cê tá malhando, cara?
- Tô é velho mesmo. Uso isso pro bichinho aqui conseguir ficar de pé! - E solta uma gargalhada gigante.
É broxa, mas pelo menos tem bom humor.

Desafio Cidade Maravilhosa - 21 + 42 km

// 5 de junho de 2018

Fiz minha primeira maratona em 2014. Engravidei em 2015 e corri praticamente a gravidez toda, não consegui acompanhar o Fred na sua primeira maratona, mas corri um pouquinho junto com ele e foi lindo cruzar a linha de chegada dele com a Cleo na pança. Depois de parir não consegui conciliar as demandas de uma bebê com os treinos. Deixei a planilha de lado e me dediquei integralmente à Cleo durante 1 ano e 4 meses. Fiquei de bode da corrida nesse tempo, tinha muita saudade dos treinos e dos amigos.
Voltei a treinar em maio de 2017. Parecia que nunca tinha corrido na vida. O cansaço vinha em menos de 2 kms corridos, o ritmo era lento quase parando, um desânimo de começar tudo de novo... mas ao mesmo tempo eu sabia que teria que passar por aquilo tudo se quisesse voltar. Em menos de 3 meses o ritmo já estava se ajustando aos poucos. Só que ainda que eu tivesse voltado, a rotina era outra: os dias de treino não eram mais os mesmos sempre, tínhamos que nos adaptar em casa pra sempre ter um disponível pra ficar com Cleo enquanto o outro saía. Eu e Fred não conseguimos mais correr juntos.
Me inscrevi pra fazer 21km em Buzios no final de outubro. Dei um jeito de conseguir treinar pra não fazer tão feio e acabei completando a prova com o Fred como minha dupla. Foi muito bom relembrar o clima de fazer uma prova, de correr com amigos! E foi o pontapé inicial para eu ter confiança de fazer outra maratona em 2018.
No final do ano recebi um email com uma proposta IMPERDÍVEL: a maratona do Rio ia fazer pela primeira vez o Desafio Cidade Maravilhosa, que consistia em correr 21km no sábado + 42km no domingo. Achei incrível! Só 2 mil vagas seriam abertas, então não pensei duas vezes e me inscrevi na hora. Só avisei ao Marlon: dá seu jeito que já estou inscrita!
Em janeiro, férias escolares e trabalhos acumulados fizeram meu treinamento ficar uma zona. Em fevereiro o carnaval e o trombone roubaram um pouco o foco da corrida. Até que levei um puxão de orelha do treinador: quem se inscreveu nisso foi vc, não fui eu que te obriguei a fazer nada! Quer fazer o desafio? Dá um jeito de enfiar a corrida na sua rotina!
Enfiei meu rabinho entre as pernas e dei meu jeito (com a ajuda do Fred, que ficava com Cleo pra eu consegui sair pra correr). Meses de treinamento com amigos que aos poucos foram se tornando cada vez mais próximos! Um clichê da corrida que é uma verdade maravilhosa: corra e faça amigos! Que galera maneira! Cada treino longo era uma festa, cada dor e vontade de parar no meio eram recompensadas com carinho e apoio. Treinar 4x na semana era pesado, mas os amigos sempre estavam lá pra deixar tudo mais leve.
A um mês da prova, logo após um treino de 32km, torci o joelho direito descendo a escada de casa. Achei que não fosse nada sério e acabei treinando forte na semana seguinte. Resultado: uma dor constante mesmo em repouso. Treinador falou: repouso de uns dias pra ver como isso vai ficar. Enquanto todos intensificavam os treinos na reta final eu estava lá parada esperando pra ver o que aconteceria. Depois de varios dias parada, fui fazer um treino de 21km e acabei com muita dor e mal de cabeça achando que seria o fim do desafio pra mim. Mais repouso. Perdi o último longão de 36km, o treino mais importante do ciclo. Enquanto estavam todos no Recreio treinando forte, eu estava na clínica de ressonância torcendo pra não ser nada demais no joelho. Só faltavam 14 dias pra prova.
O resultado da ressonância demorou a sair. Continuei de respouso mais uns dias e quando a dor deu uma amenizada, voltei aos treinos finais. Nando Gavazzoni foi acompanhando o processo da dor e sugeriu fazer reforço muscular extra no estúdio. Na verdade, o que ele fez foi devolver a minha confiança pra não desistir na última hora. Era pegar ou largar, agora não tinha mais tempo pra nada.
Quinta-feira antes da prova, feriado e dia de pegar os kits! Fui com Marlon pegar o da equipe toda, mas como eu tinha me inscrito logo na abertura das inscrições, meu kit não estava junto com o da FF. Tive que entrar na fila individual pra pegar. Mais de duas horas em pé na fila por conta da desorganização do evento. A dois dias da prova e meu joelho sendo castigado ali naquela tortura. Fiz amizade na fila e acabei menos tensa por causa disso.
Sexta, véspera dos 21km. Expectativa: arrumar as minhas coisas cedo, comer direitinho conforme a dieta da nutricionista e repousar para acumular energia pra prova. Realidade: duas crianças sem aula, parquinho de tarde, lanchar qualquer coisa na rua, beber pouca água, zero repouso e arrumar tudo de noite depois de botar a criança pra dormir. Tudo isso pra acordar no dia seguinte e pegar a van 4h30 da manhã.
Chegamos lá animadas pra correr! 21km é minha distância preferida. 10km passam muito rápido, 42km são uma caixinha de surpresas, mas 21km sempre me deixam feliz! Não tem sofrimento, não passa rápido demais. Uma beleza, tinha tudo pra ser lindo. A largada foi 6h30, mas só conseguimos passar do pórtico quase 7h por conta da quantidade enorme de participantes. Larguei junto de vários amigos da FF, mas acabamos nos dispersando logo no início e ficamos só eu e Antonio Fernandes juntos até o final. A corrida foi bem tranquila, fizemos um ritmo confortável pra não forçar. Estava muito calor e a segunda metade foi sofrida por conta disso. O joelho deu sinal de dor, mas cheguei bem ao final. Fred me esperou com as meninas um pouco antes da linha de chegada e consegui passar a chegada com as duas juntas. Muita emoção com o registro incrível do Antonio, que além de companheiro de prova foi o fotógrafo oficial da chegada! Primeira parte do desafio: check!
A corrida foi linda, mas o pós prova foi a treva: joelho doendo MUITO e várias dores pelo corpo, sinais da gripe que há semanas estava me rondando. Anti-inflamatório S.O.S. e gelo no joelho para conseguir correr no dia seguinte + vitamina C e própolis pro corpo reagir. Tudo isso intercalado com Cleo pendurada no peito mamando sem parar e nada de repouso para recuperar aa energias. Enquanto meus amigos de maratona estavam num hotel no Recreio curtindo a piscina de fundo infinito, eu estava dando mamá, com a perna esticada pra cima tomando café pra me manter acordada. Ainda bem que tinha minha santa mãe pra fazer almoço e jantar! Obrigada, mãe!!!!! Fim do dia: fiz Cleo dormir, já que seria a primeira vez dela dormindo longe de mim, jantei e fui com Fred para a casa do primão e da primona no Recreio para acordar perto do local da largada no dia seguinte. Estava tão cansada que logo fui deitar enquanto eles bebiam uma cervejinha. Mandei mensagem pro Marlon dizendo que não estava confiante pro dia seguinte, e ele respondeu "você pode tudo o que desejar". Meu desejo era fazer bem os 42km, então vamos pensar positivamente!
Acordei 5h no dia seguinte. Me arrumei, fiz 💩 (mais um dia de vitórias) e chamei o Fred pra me deixar lá. Minha intenção era tomar café na rua, mas não me liguei que estava em cima da hora e acabou não dando tempo pra nada. Encontrei o pessoal já na largada, tomei o café que Marlon levou (outro dia de vitórias) e vamo que vamo já que tínhamos 42km pela frente!
Largamos praticamente a equipe toda, só Laura não chegou a tempo de nos encontrar. Fomos os primeiros kms juntos, mas aos poucos a galera foi dispersando nos seus ritmos. Mais uma vez eu e Antonio fomos juntos.
A previsão do tempo era dia nublado com chuvas esporádicas. Depois da soleira dos 21km a gente queria muito conseguir correr os 42km numa temperatura amena. Só que estava nublado, mas muito úmido! Eu, que suo baldes, estava em bicas! Nossa sorte foi a hidratação da prova ter sido com garrafinhas, assim conseguíamos beber água o tempo todo entre os pontos de hidratação. Apesar disso, os primeiros kms foram bem tranquilos. Por volta do km 13 ainda na reserva, estava Fernanda Keller gritando e incentivando a galera. Quando vi que era ela, fui correndo dar tapinha na mão! Recebi uma olhadinha e um "vai fundo" daquele mulherão da porra! Me senti com mais vidas extras no jogo depois disso. Que incentivo!
Passamos da reserva e entramos na Barra. Nesse momento a pista dá uma afunilada e por isso as pessoas ficam mais espremidas. Os corredores reclamam muito da reserva que tem muitos kms com a mesma paisagem o tempo todo, mas pra mim a Barra é bem pior com os carros passando juntinho da pista dos atletas. Pra piorar ainda tive que presenciar o merda do Bolsonaro fazendo selfie com seus fãs. Obviamente recebeu uma chuva de xingamentos vindos de mim e do Antonio.
Chegamos lindamente na metade da prova. Eu não queria comentar nada com o Antonio por medo de quebrar no km seguinte, mas a corrida estava muito mais fácil que os 21kms do dia anterior. Mentalizei pra segunda metade ser tão boa quanto a primeira.
Na subida da Niemeyer encontramos Jean sem o Rafael, que tinha diminuído o ritmo por conta de uma indisposição. Na descida encontramos Felipe e Aldecir Ci de bike pra dar suporte a quem precisasse. O abraço do Cici recarregou mais um pouquinho da bateria, dando aquele gás no início do km 30. Passamos pelo Leblon e por Ipanema com várias pessoas incentivando os corredores, é muito legal ver a população nas ruas somente para dar incentivo aos atletas!
Por volta do km 33 encontrei com a Caroline Santos, que iria até o final me acompanhando. Se existisse prova de amizade, uma delas certamente teria que ser essa! Carol chegou animando e alegrando! Mais um km a frente e quem me esperava pronto pra correr junto? Fred!!!! Meu amorzão foi mesmo! 😍 Chegamos em Copacabana e quem me esperava com uma latinha de coca cola geladinha? Thais Sholl, minha madrinha das pistas e maior incentivadora nos primeiros anos de corrida. Se bandeou pro Crossfit, mas foi lá me acompanhar ate a linha de chegada. Que alegria poder correr os kms finais com essas companhias! Aí foi uma festa geral apesar do cansaço final. Os últimos kms foram muito emocionantes. Eu só pensava em abraçar minhas meninas!
Reta final do Aterro e quando passei pela tenda da FF, as crianças não estavam lá. Cruzei a linha de chegada sem elas, mas muito feliz em ter feito uma prova linda, tranquila e 8 minutos abaixo do tempo da minha primeira maratona.
Desafio feitooooo!!!! 💪
Peguei a tão sonhada medalha do Desafio e fui encontrar a família. Cleo estava dormindo e Laura estava chorando pq perderam minha chegada lá. Eu tb fiquei triste pq queria ter cruzado a linha de chegada com elas novamente, mas não deu dessa vez. Fica pra próxima maratona. 😅
A comemoração na tenda da FF foi só alegrias! É um privilégio correr com tanta gente alto astral!
Só tenho a agradecer a quem participou desse sonho comigo:
Fred, pelo incentivo e suporte com as meninas. Se não fosse por vc, eu não teria conseguido. Essa medalha também é sua!
Meu treinador Marlon, que conseguiu ser fofo e carrasco ao mesmo tempo e acreditou em mim até o finalzinho!
Equipe FF pelo profissionalismo e pela alegria!
Galera do longão pela amizade e carinho! Sem vcs os sábados não teriam sido tão divertidos!
Antonio, minha dupla querida, que honra ter vc ao meu lado em cada um desses 63 kms! Vc é o cara e essa prova vai ficar marcada pra sempre na minha memória. Obrigada, timeeeee!!!!
Carol e Thais, migas suas lokas! Amo vcs!
Minha família, pelo incentivo infinito! 
Laura e Cleo: minhas maiores inspirações. Vcs me fazem querer ser uma pessoa melhor a cada dia. Essa conquista é para vocês.
Essa prova me deu mais certeza de que eu posso realizar mais do que imagino que eu seja capaz. Me mostrou que meu corpo é meu maior bem, que é perfeito justamente como ele é! Me deu orgulho de mim mesma como mãe e como mulher.
Só digo uma coisa:
ISSO AQUI É DESAFIO, PORRA!!!!!!! 💪
E que venha a próxima maluquice!

Comida pra pato

// 11 de junho de 2018

Eu e Cleo fomos hoje pela primeira vez levar pão para os patos no Campo de São Bento. Sempre vamos ver os patinhos e gansos, mas nunca levamos nada pra eles comerem. Só tinha um pão em casa, mas achei que era o suficiente pra ela curtir essa novidade.
Dei o saco com o pão pra ela ir segurando até lá. No meio do caminho:
- Mãe, quero um pedaço do pão.
- Tá bem, mas só tem um. Pega um pedaço pequeno.
Tirei a pontinha e ela comeu tudo numa bocada só.
Chegamos lá e ela foi dando "um pedaço pro pato e outro pedaço pra Cleo". Acho que deve ser a única criança que leva comida pro pato e vai comendo junto.
Chegou no último pedaço. Ela tirou uma lasquinha mínima e jogou pro ganso. Comeu o que restou e falou:
- Perdeu, pato!
E fomos pra escola almoçar. Fim.

Também contamos as derrotas

// 3 de julho de 2018

Da série "também contamos as derrotas":
A criança pede pra ir ao parquinho. Vc arruma tudo e vai com tempo pra ela curtir bastante antes da escola.
A criança chega lá e pede pra tirar o sapato. Vc tira, mesmo sabendo que vai chegar imunda na creche. Tudo bem, nada que um lencinho não resolva naquele lindo banho de gato.
A criança quer o brinquedo da outra criança no parquinho. Vc fala pra ela pedir. Ela não pede e sai pegando direto. Vc pede pra ela ficar por perto pra dona do brinquedo não sentir falta. Ela vai pra longe só de sacanagem. Vc vê a outra criança se arrumando pra ir embora e fala pra sua ir devolver o brinquedo. Ela diz que não e faz pirraça. Vc ameaça ir embora do parquinho e pede pra ela devolver. Ela fica puta e taca o brinquedo na direção da dona. Vc pede pra ela voltar e agradecer. Obviamente ela não vai. Vc resolve não comprar essa briga pq já está estressada e agradece vc mesma.
Hora de ir pra creche. Vem limpar os pés e botar sapatos. A criança não vai. Vc conversa e a faz entender que tá na hora. Pés limpos e sapatos nos pés depois de muita negociação.
Agora entra no carrinho. Não quer. Tem que entrar pq eu não consigo carregar a criança, a mochila, a bolsa e empurrar o carrinho ao mesmo tempo. Não quer. Vc conversa. Não quer. Vc pega no colo e carrega a tralha toda empurrando o carrinho trambolho. Um peso sinistro. Dor na lombar. Vc não aguenta nem 500 metros carregando e resolve mais uma vez enfiar a criança no carrinho. Tiro, porrada e bomba. Criança gritando, soltando meleca e passando catarro na cara toda, se joga no chão se debatendo. Vc abaixa pra conversar. Fala baixo. Fala alto. Manda. Nada dá certo. Paciência acabou e vc resolve enfiar a criança no carrinho na marra. Pensem na terceira guerra mundial.
No caminho do parquinho pra escola ela se soltava do cinto no carrinho e se jogava no chão. Eu ia lá e botava de novo no lugar. Gritos sem fim. Quando tava quase chegando na escola passa um ômi por mim e fala:
Tanta gente querendo ter um filho e essa bruxa batendo na criança.
Maluco.
Não fala isso pra uma mãe trabalhada na criação com apego que conta até um milhão pra não bater.
Não fala isso pra uma mãe que amamenta a criança em livre demanda com 2 anos e meio.
Não fala isso pra mãe que é feminista e não aguenta 1 segundo de opinião de macho escroto.
A sorte desse cara foi que ele falou isso e passou direto. Não deu tempo de apanhar da bruxa.
E ainda tem gente a favor de liberar porte de arma. Já digo logo que eu não tenho estrutura pra isso.
Mais uma vez a dica de ouro: usem camisinha.

Semana Mundial do Aleitamento materno

// 1 de agosto de 2018

E lá se vão 2 anos e 7 meses amamentando Cleo.
Laura mamou por 2 anos.
Além das minhas filhas, doei leite materno durante meses para o banco de leite do Hospital Antonio Pedro.
Não é fácil, mas é muito amor envolvido.
Minha homenagem à Semana Mundial do Aleitamento Materno. 

Primeiro picolé

//15 de julho de 2018

O primeiro picolé na rua a gente nunca esquece! Felicidade define!

Lombriga?

// 16 de julho de 2018

8 da manhã e o seguinte diálogo:

- Filha, o que vc quer de café da manhã?- Macarrão com molho de carne.