Da série "também contamos as derrotas":
A criança pede pra ir ao parquinho. Vc arruma tudo e vai com tempo pra ela curtir bastante antes da escola.
A criança chega lá e pede pra tirar o sapato. Vc tira, mesmo sabendo que vai chegar imunda na creche. Tudo bem, nada que um lencinho não resolva naquele lindo banho de gato.
A criança quer o brinquedo da outra criança no parquinho. Vc fala pra ela pedir. Ela não pede e sai pegando direto. Vc pede pra ela ficar por perto pra dona do brinquedo não sentir falta. Ela vai pra longe só de sacanagem. Vc vê a outra criança se arrumando pra ir embora e fala pra sua ir devolver o brinquedo. Ela diz que não e faz pirraça. Vc ameaça ir embora do parquinho e pede pra ela devolver. Ela fica puta e taca o brinquedo na direção da dona. Vc pede pra ela voltar e agradecer. Obviamente ela não vai. Vc resolve não comprar essa briga pq já está estressada e agradece vc mesma.
Hora de ir pra creche. Vem limpar os pés e botar sapatos. A criança não vai. Vc conversa e a faz entender que tá na hora. Pés limpos e sapatos nos pés depois de muita negociação.
Agora entra no carrinho. Não quer. Tem que entrar pq eu não consigo carregar a criança, a mochila, a bolsa e empurrar o carrinho ao mesmo tempo. Não quer. Vc conversa. Não quer. Vc pega no colo e carrega a tralha toda empurrando o carrinho trambolho. Um peso sinistro. Dor na lombar. Vc não aguenta nem 500 metros carregando e resolve mais uma vez enfiar a criança no carrinho. Tiro, porrada e bomba. Criança gritando, soltando meleca e passando catarro na cara toda, se joga no chão se debatendo. Vc abaixa pra conversar. Fala baixo. Fala alto. Manda. Nada dá certo. Paciência acabou e vc resolve enfiar a criança no carrinho na marra. Pensem na terceira guerra mundial.
No caminho do parquinho pra escola ela se soltava do cinto no carrinho e se jogava no chão. Eu ia lá e botava de novo no lugar. Gritos sem fim. Quando tava quase chegando na escola passa um ômi por mim e fala:
Tanta gente querendo ter um filho e essa bruxa batendo na criança.
Maluco.
Não fala isso pra uma mãe trabalhada na criação com apego que conta até um milhão pra não bater.
Não fala isso pra uma mãe que amamenta a criança em livre demanda com 2 anos e meio.
Não fala isso pra mãe que é feminista e não aguenta 1 segundo de opinião de macho escroto.
Não fala isso pra uma mãe trabalhada na criação com apego que conta até um milhão pra não bater.
Não fala isso pra uma mãe que amamenta a criança em livre demanda com 2 anos e meio.
Não fala isso pra mãe que é feminista e não aguenta 1 segundo de opinião de macho escroto.
A sorte desse cara foi que ele falou isso e passou direto. Não deu tempo de apanhar da bruxa.
E ainda tem gente a favor de liberar porte de arma. Já digo logo que eu não tenho estrutura pra isso.
Mais uma vez a dica de ouro: usem camisinha.
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