Fiz minha primeira maratona em 2014. Engravidei em 2015 e corri praticamente a gravidez toda, não consegui acompanhar o Fred na sua primeira maratona, mas corri um pouquinho junto com ele e foi lindo cruzar a linha de chegada dele com a Cleo na pança. Depois de parir não consegui conciliar as demandas de uma bebê com os treinos. Deixei a planilha de lado e me dediquei integralmente à Cleo durante 1 ano e 4 meses. Fiquei de bode da corrida nesse tempo, tinha muita saudade dos treinos e dos amigos.
Voltei a treinar em maio de 2017. Parecia que nunca tinha corrido na vida. O cansaço vinha em menos de 2 kms corridos, o ritmo era lento quase parando, um desânimo de começar tudo de novo... mas ao mesmo tempo eu sabia que teria que passar por aquilo tudo se quisesse voltar. Em menos de 3 meses o ritmo já estava se ajustando aos poucos. Só que ainda que eu tivesse voltado, a rotina era outra: os dias de treino não eram mais os mesmos sempre, tínhamos que nos adaptar em casa pra sempre ter um disponível pra ficar com Cleo enquanto o outro saía. Eu e Fred não conseguimos mais correr juntos.
Me inscrevi pra fazer 21km em Buzios no final de outubro. Dei um jeito de conseguir treinar pra não fazer tão feio e acabei completando a prova com o Fred como minha dupla. Foi muito bom relembrar o clima de fazer uma prova, de correr com amigos! E foi o pontapé inicial para eu ter confiança de fazer outra maratona em 2018.
No final do ano recebi um email com uma proposta IMPERDÍVEL: a maratona do Rio ia fazer pela primeira vez o Desafio Cidade Maravilhosa, que consistia em correr 21km no sábado + 42km no domingo. Achei incrível! Só 2 mil vagas seriam abertas, então não pensei duas vezes e me inscrevi na hora. Só avisei ao Marlon: dá seu jeito que já estou inscrita!
Em janeiro, férias escolares e trabalhos acumulados fizeram meu treinamento ficar uma zona. Em fevereiro o carnaval e o trombone roubaram um pouco o foco da corrida. Até que levei um puxão de orelha do treinador: quem se inscreveu nisso foi vc, não fui eu que te obriguei a fazer nada! Quer fazer o desafio? Dá um jeito de enfiar a corrida na sua rotina!
Enfiei meu rabinho entre as pernas e dei meu jeito (com a ajuda do Fred, que ficava com Cleo pra eu consegui sair pra correr). Meses de treinamento com amigos que aos poucos foram se tornando cada vez mais próximos! Um clichê da corrida que é uma verdade maravilhosa: corra e faça amigos! Que galera maneira! Cada treino longo era uma festa, cada dor e vontade de parar no meio eram recompensadas com carinho e apoio. Treinar 4x na semana era pesado, mas os amigos sempre estavam lá pra deixar tudo mais leve.
A um mês da prova, logo após um treino de 32km, torci o joelho direito descendo a escada de casa. Achei que não fosse nada sério e acabei treinando forte na semana seguinte. Resultado: uma dor constante mesmo em repouso. Treinador falou: repouso de uns dias pra ver como isso vai ficar. Enquanto todos intensificavam os treinos na reta final eu estava lá parada esperando pra ver o que aconteceria. Depois de varios dias parada, fui fazer um treino de 21km e acabei com muita dor e mal de cabeça achando que seria o fim do desafio pra mim. Mais repouso. Perdi o último longão de 36km, o treino mais importante do ciclo. Enquanto estavam todos no Recreio treinando forte, eu estava na clínica de ressonância torcendo pra não ser nada demais no joelho. Só faltavam 14 dias pra prova.
O resultado da ressonância demorou a sair. Continuei de respouso mais uns dias e quando a dor deu uma amenizada, voltei aos treinos finais. Nando Gavazzoni foi acompanhando o processo da dor e sugeriu fazer reforço muscular extra no estúdio. Na verdade, o que ele fez foi devolver a minha confiança pra não desistir na última hora. Era pegar ou largar, agora não tinha mais tempo pra nada.
Quinta-feira antes da prova, feriado e dia de pegar os kits! Fui com Marlon pegar o da equipe toda, mas como eu tinha me inscrito logo na abertura das inscrições, meu kit não estava junto com o da FF. Tive que entrar na fila individual pra pegar. Mais de duas horas em pé na fila por conta da desorganização do evento. A dois dias da prova e meu joelho sendo castigado ali naquela tortura. Fiz amizade na fila e acabei menos tensa por causa disso.
Sexta, véspera dos 21km. Expectativa: arrumar as minhas coisas cedo, comer direitinho conforme a dieta da nutricionista e repousar para acumular energia pra prova. Realidade: duas crianças sem aula, parquinho de tarde, lanchar qualquer coisa na rua, beber pouca água, zero repouso e arrumar tudo de noite depois de botar a criança pra dormir. Tudo isso pra acordar no dia seguinte e pegar a van 4h30 da manhã.
Chegamos lá animadas pra correr! 21km é minha distância preferida. 10km passam muito rápido, 42km são uma caixinha de surpresas, mas 21km sempre me deixam feliz! Não tem sofrimento, não passa rápido demais. Uma beleza, tinha tudo pra ser lindo. A largada foi 6h30, mas só conseguimos passar do pórtico quase 7h por conta da quantidade enorme de participantes. Larguei junto de vários amigos da FF, mas acabamos nos dispersando logo no início e ficamos só eu e Antonio Fernandes juntos até o final. A corrida foi bem tranquila, fizemos um ritmo confortável pra não forçar. Estava muito calor e a segunda metade foi sofrida por conta disso. O joelho deu sinal de dor, mas cheguei bem ao final. Fred me esperou com as meninas um pouco antes da linha de chegada e consegui passar a chegada com as duas juntas. Muita emoção com o registro incrível do Antonio, que além de companheiro de prova foi o fotógrafo oficial da chegada! Primeira parte do desafio: check!
A corrida foi linda, mas o pós prova foi a treva: joelho doendo MUITO e várias dores pelo corpo, sinais da gripe que há semanas estava me rondando. Anti-inflamatório S.O.S. e gelo no joelho para conseguir correr no dia seguinte + vitamina C e própolis pro corpo reagir. Tudo isso intercalado com Cleo pendurada no peito mamando sem parar e nada de repouso para recuperar aa energias. Enquanto meus amigos de maratona estavam num hotel no Recreio curtindo a piscina de fundo infinito, eu estava dando mamá, com a perna esticada pra cima tomando café pra me manter acordada. Ainda bem que tinha minha santa mãe pra fazer almoço e jantar! Obrigada, mãe!!!!! Fim do dia: fiz Cleo dormir, já que seria a primeira vez dela dormindo longe de mim, jantei e fui com Fred para a casa do primão e da primona no Recreio para acordar perto do local da largada no dia seguinte. Estava tão cansada que logo fui deitar enquanto eles bebiam uma cervejinha. Mandei mensagem pro Marlon dizendo que não estava confiante pro dia seguinte, e ele respondeu "você pode tudo o que desejar". Meu desejo era fazer bem os 42km, então vamos pensar positivamente!
Acordei 5h no dia seguinte. Me arrumei, fiz
💩 (mais um dia de vitórias) e chamei o Fred pra me deixar lá. Minha intenção era tomar café na rua, mas não me liguei que estava em cima da hora e acabou não dando tempo pra nada. Encontrei o pessoal já na largada, tomei o café que Marlon levou (outro dia de vitórias) e vamo que vamo já que tínhamos 42km pela frente!
Largamos praticamente a equipe toda, só Laura não chegou a tempo de nos encontrar. Fomos os primeiros kms juntos, mas aos poucos a galera foi dispersando nos seus ritmos. Mais uma vez eu e Antonio fomos juntos.
A previsão do tempo era dia nublado com chuvas esporádicas. Depois da soleira dos 21km a gente queria muito conseguir correr os 42km numa temperatura amena. Só que estava nublado, mas muito úmido! Eu, que suo baldes, estava em bicas! Nossa sorte foi a hidratação da prova ter sido com garrafinhas, assim conseguíamos beber água o tempo todo entre os pontos de hidratação. Apesar disso, os primeiros kms foram bem tranquilos. Por volta do km 13 ainda na reserva, estava Fernanda Keller gritando e incentivando a galera. Quando vi que era ela, fui correndo dar tapinha na mão! Recebi uma olhadinha e um "vai fundo" daquele mulherão da porra! Me senti com mais vidas extras no jogo depois disso. Que incentivo!
Passamos da reserva e entramos na Barra. Nesse momento a pista dá uma afunilada e por isso as pessoas ficam mais espremidas. Os corredores reclamam muito da reserva que tem muitos kms com a mesma paisagem o tempo todo, mas pra mim a Barra é bem pior com os carros passando juntinho da pista dos atletas. Pra piorar ainda tive que presenciar o merda do Bolsonaro fazendo selfie com seus fãs. Obviamente recebeu uma chuva de xingamentos vindos de mim e do Antonio.
Chegamos lindamente na metade da prova. Eu não queria comentar nada com o Antonio por medo de quebrar no km seguinte, mas a corrida estava muito mais fácil que os 21kms do dia anterior. Mentalizei pra segunda metade ser tão boa quanto a primeira.
Na subida da Niemeyer encontramos Jean sem o Rafael, que tinha diminuído o ritmo por conta de uma indisposição. Na descida encontramos Felipe e Aldecir Ci de bike pra dar suporte a quem precisasse. O abraço do Cici recarregou mais um pouquinho da bateria, dando aquele gás no início do km 30. Passamos pelo Leblon e por Ipanema com várias pessoas incentivando os corredores, é muito legal ver a população nas ruas somente para dar incentivo aos atletas!
Por volta do km 33 encontrei com a Caroline Santos, que iria até o final me acompanhando. Se existisse prova de amizade, uma delas certamente teria que ser essa! Carol chegou animando e alegrando! Mais um km a frente e quem me esperava pronto pra correr junto? Fred!!!! Meu amorzão foi mesmo!
😍 Chegamos em Copacabana e quem me esperava com uma latinha de coca cola geladinha? Thais Sholl, minha madrinha das pistas e maior incentivadora nos primeiros anos de corrida. Se bandeou pro Crossfit, mas foi lá me acompanhar ate a linha de chegada. Que alegria poder correr os kms finais com essas companhias! Aí foi uma festa geral apesar do cansaço final. Os últimos kms foram muito emocionantes. Eu só pensava em abraçar minhas meninas!
Reta final do Aterro e quando passei pela tenda da FF, as crianças não estavam lá. Cruzei a linha de chegada sem elas, mas muito feliz em ter feito uma prova linda, tranquila e 8 minutos abaixo do tempo da minha primeira maratona.
Desafio feitooooo!!!!
✌
💪
Peguei a tão sonhada medalha do Desafio e fui encontrar a família. Cleo estava dormindo e Laura estava chorando pq perderam minha chegada lá. Eu tb fiquei triste pq queria ter cruzado a linha de chegada com elas novamente, mas não deu dessa vez. Fica pra próxima maratona.
😅
A comemoração na tenda da FF foi só alegrias! É um privilégio correr com tanta gente alto astral!
Só tenho a agradecer a quem participou desse sonho comigo:
Fred, pelo incentivo e suporte com as meninas. Se não fosse por vc, eu não teria conseguido. Essa medalha também é sua!
Meu treinador Marlon, que conseguiu ser fofo e carrasco ao mesmo tempo e acreditou em mim até o finalzinho!
Equipe FF pelo profissionalismo e pela alegria!
Galera do longão pela amizade e carinho! Sem vcs os sábados não teriam sido tão divertidos!
Antonio, minha dupla querida, que honra ter vc ao meu lado em cada um desses 63 kms! Vc é o cara e essa prova vai ficar marcada pra sempre na minha memória. Obrigada, timeeeee!!!!
Carol e Thais, migas suas lokas! Amo vcs!
Minha família, pelo incentivo infinito!
❤
Laura e Cleo: minhas maiores inspirações. Vcs me fazem querer ser uma pessoa melhor a cada dia. Essa conquista é para vocês.
Essa prova me deu mais certeza de que eu posso realizar mais do que imagino que eu seja capaz. Me mostrou que meu corpo é meu maior bem, que é perfeito justamente como ele é! Me deu orgulho de mim mesma como mãe e como mulher.
Só digo uma coisa:
ISSO AQUI É DESAFIO, PORRA!!!!!!!
💪
♀
✌
ISSO AQUI É DESAFIO, PORRA!!!!!!!
E que venha a próxima maluquice!
Nenhum comentário:
Postar um comentário